domingo, janeiro 28, 2007

Pudim de Leite Condensado

"Spente le stelle, Col pallido raggio di luna, Piange l' amore, Che si lancia come l' onda poi se ne va, Vuota, la notte, E la sua speranza breve, Ora sgorga l' amaro pianto, Un cuor ferito, disperato passa qua."
Gastone di Murta/ Mari-Ange Chapelain
(*)
Hoje acordei com um dilema! Como desenformar um pudim sem quebra-lo? Ah! Se todos os dilemas fossem fáceis assim, a vida por consequência seria mais simples e mais doce, disso eu tenho certeza!!!
Basta olhar pra si mesmo ou para o lado para perceber que os dilemas caminham a passos mais rápidos que a humanidade e a maneira que avançamos mais, queremos cada vez mais também. E por mais engraçado que possa parecer queremos o óbvio, mas o óbvio não está nas prateleiras dos hiper, super, ômega supermercados. E sim, dentro de cada um de nós!!!
...
Dia desses, um amigo me confessava uma reflexão a respeito das dúvidas que tinha sobre a velha teoria de que "todos têm a sua tampa da panela." O que afligia ele é que talvez ele não fosse uma panela, logo não teria uma tampa.
Complicado prever se somos panelas, ou frigideiras, pois as frigideiras não necessitam de tampas e sua função social é apenas fazer coisas rápidas, logo, ela vive apenas relações superficiais e constantes, pois quem gosta de frituras vai sempre utiliza-lás.
...
E o que tem a ver o pudim com isso?
Bem, as panelas para preparar pudins vivem uma estranha relação a três: panela, tampa e forma. Um triângulo amoroso necessário, ou um relacionamento aberto?
É preciso muita maturidade pra assumir uma relação assim! Não pode haver nem uma pitada de ciúmes, nem de possessão e se deixar passar a medida de um fermento especial chamado "cobrança" aí é que a coisa vai engrossar!!!
Enquanto desenformo esse pudim mil coisas passaram pela minha cabeça!!! Vixi! Como é complicado pro ser humano administrar a si mesmo, enquanto, insiste em buscar suas respostas nos outros e se esquece de untar sua própria forma e de buscar novos ingredientes para que esteja cada vez mais completo e inteiro. Pois somente assim, ele estará pronto para se tornar uma receita inesquecível, em todos os sentidos...

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Descabaçando-me a mim mesmo!!!

"Graças a Deus, Minha vida mudou, Quem me viu, quem me vê, A tristeza acabou, Contigo aprendi a sorrir, Escondes o pranto de quem, Sofreu tanto, Organizaste uma festa em mim, É por isso que eu canto assim."
Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito
(*)
Eu nunca pensei que fosse falar de amor nesse espaço, mas enfim...não que eu esteja amando, longe de mim sofrer do mal que já matou muitos por aí. Mas, quando penso na coisa amor (na atualidade), resumo tudo nessa letra do Frejat:

Segredos

Eu procuro um amor
que ainda não encontrei
diferente de todos que amei
Nos seus olhos quero descobrir
uma razão para viver
e as feridas dessa vida
eu quero esquecer
Pode ser que eu a encontre
numa fila de cinema
numa esquina
ou numa mesa de bar
Procuro um amor
que seja bom pra mim
vou procurar,
eu vou até o fim
E eu vou tratá-la bem
pra que ela não tenha medo
quando começar a conhecer
os meus segredos
Eu procuro um amor
uma razão para viver
e as feridas dessa vida
eu quero esquecer
Pode ser que eu gagueje
sem saber o que falar
mas eu disfarço
e não saio sem ela de lá
Procuro um amor
que seja bom pra mim
vou procurar,
eu vou até o fim

E aos que estão amando eu desejo sorte e muita paciência...

domingo, janeiro 21, 2007

Tudo por um celular - Quinta Parte

"Alô ... Tô ligando pra saber como você está, Eu `tava à toa e por isso resolvi ligar, Pra contar que sonhei com você, Alô ... É tão bom ouvir de novo a sua voz, Apesar da distância que há entre nós, Tem uma coisa que eu preciso dizer: Na verdade eu liguei, Esse sonho inventei pra te ouvir, E pra contar que chorei, E a solidão tava doendo em mim."
Chitãozinho e Xororó
(*)
Consumidor
Quinto Capítulo: A nova geração
Aparelho escolhido, cadastro preenchido. Agora era aguardar o passo a passo do "Meu pedido." Seu pedido foi cadastrado com sucesso! Seu pedido foi faturado com sucesso! Seu pedido está concluído com sucesso! Você é um sucesso com sucesso! E ao receber o seu pedido que foi cadastrado, faturado e enviado com sucesso você deve ligar para um de nossos atendentes no número XXXX, depois tecle X, depois tecle Y e não se esqueça de avaliar a qualidade do nosso atendimento.
Eis, que depois de uma semana de espera surge uma caixa de Sedex em minha frente. Depois de observar o aparelho colocar a bateria! É hora da primeira carga. Em algumas horas, começaria o festival de desculpas. Enquanto isso, o aparelho inerte! Nem recebia e nem fazia ligações.
Primeira ligação:
- Senhor você precisa colocar créditos na linha!!!
TECLA SAP: Novidade!
Segunda ligação:
- Senhor não precisa ligar para a central, pois o seu celular é de cartão!
TECLA SAP: Então, porque no sistema de acompanhamento de pedidos pede para ligar para a Central de Relacionamentos?
Terceira ligação:
- Senhor não precisa ligar para a central, e as recargas levam até 24 horas para serem reconhecidas pelo sistema!
TECLA SAP: Me engana que eu gosto!
Quarta ligação:
- Senhor aconteceu um problema em todas as torres dessa região, por isso, o senhor nao consegue efetuar ligações. O problema deverá estar sendo solucionado por volta das 23h59.
TECLA SAP:
FODA-SEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
(*)
Pausa!
Fui pra academia, toquei o F, contei até 10 e acendi uma vela pro meu anjo da guarda!!!
(*)
Não contente com a situação, liguei mais duas vezes. Na primeira o atendente foi super interessado e fez vários procedimentos que não resolveram nada, mas demonstraram vontade de ajudar pelo menos. O segundo foi no ponto X do problema e achou a causa da mudez do aparelho. Porém, como já era 21h, o povo responsável por resolver o assunto já tinha ido embora.
Antes de amanhecer eu já tinha pego minha viola e colocado na sacola. Lá vou eu ligar mais uma vez para a central. Ciente do problema pelo qual estava passando fui direto na ferida.
Ligação de Número, sei lá qual:
- Olha! O meu celular está com o seguinte problema e você poderia resolver para mim?
- Senhor! Não estamos habilitados a resolver esse problema, portanto, o senhor deverá estar se encaminhando a uma loja física de nossa empresa para que o atendente faça os ajustes necessários.
TECLA SAP E CLOSE CAPTION:
- A essa altura minha paciência já estava sei lá onde!
Finalmente, o atendente fez os ajustes necessários e o aparelho voltou a receber a fazer ligações. Mas, o melhor estava porvir um e-mail mal criado aguardava a empresa!!! hahhahahahahahahahahahahaha (risada maquiavélica).
A grande questão era:
Como uma empresa cria um procedimento eletrônico para compras virtuais que são a sensação do momento no mercado dos negócios e seus empregados não seguem o procedimento?
Só sei que a coisa esquentou: recebi um e-mail homérico e depois uma ligação da central querendo saber todos os pontos negativos do atendimento dado pela empresa.
Essa relação empresa x cliente é algo engraçado, pois o mercado está cheio de gente querendo consumir, um monte de empregos insatisfeitos empurrando com a barriga e por outro lado uma empresa querendo mantér sua imagem competitiva, com credibilidade e qualidade.
Durma com um barulho desses!!!
Por fim
Estou com meu celular de volta, depois de tanto brigar, passar raíva e discutir. Tudo isso, por um celular!
The end

quarta-feira, janeiro 17, 2007

Tudo por um celular - Quarta Parte

"Alô, alô, marciano, Aqui quem fala é da Terra, Pra variar estamos em guerra, Você não imagina a loucura, O ser humano ta na maior fissura porque, Tá cada vez mais down o high society."
Rita Lee - Roberto de Carvalho
(*)
Consumidor
Quarto capítulo: Bills, Bills, Bills
Com o aparelho em mãos, agora era o momento de encontrar o tal endereço citado na carta. Procurei na lista telefônica e nada! No 102 e nada. Até que me lembrei de uma frase celebre dita por um professor: “Depois do advento da internet.” E foi no Google que encontrei o que procurava.
O tal endereço era em Jacapal City, porém como a semana era de recesso no Fórum, os advogados aproveitaram pra tirar umas férias, com exceção do bravo Alípio. Apenas o Alípio estava trabalhando no prédio.

“Eu sou o único burro que trabalha aqui.”

Proferiu em meio a risos: o bravo Alípio.
Prazo
Eu tinha até o dia 8 de janeiro para receber o dinheiro de volta, mas pelo jeito as coisas que já não estavam boas iam continuar estagnadas. Até que num insight resolvi escrever para os endereços de e-mail contidos na carta.
O primeiro e-mail voltou!
Resolvi arriscar o outro endereço de uma advogada de São Paulo. Esse sim, foi respondido algumas horas depois!
Resultado: tirei a advogada das férias só pra pagar minha indenização! Tudo foi resolvido no mesmo dia, nos falamos por telefone e marcamos um encontro no Procon, onde encerrei o processo e fiquei feliz da vida com meu dinheiro de volta.
(*)

Aproveitei pra fazer um tour pelas lojas e pesquisar os aparelhos do momento. Só que dessa vez não queria nada de outro mundo. Meu falecido tinha mp3, rádio, Tv, máquina fotográfica, som polifônico, um display do tamanho de um celular e quando aberto ele era quase um telefone sem fio! risos
Agora, eu queria algo só pra falar mesmo!!! O foda que celular nem adianta pesquisar, a coisa é tabelada. Então, você vai de lá pra cá, daqui pra lá! E tudo é igual, a única diferença é a cara e o humor de quem te atende.
De volta ao advento da internet me simpatizei com um aparelho “basicão” e seria esse mesmo minha nova aquisição.

Senta que lá vem mais um pouco de história!!!

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Tudo por um celular - Terceira Parte

"Se o telefone tocar, E alguém perguntar, É só responder: Sou verde e branco, linha direta com você."
Camisa Verde e Branco - 2005
(*)
Consumidor
Terceiro Capítulo: A segunda gestação
No mesmo dia em que passei na assistência técnica, resolvi ligar para a Central de Relacionamento da empresa e ao conversar com um dos educados profissionais treinados a exaustão -- a esperança de que meu problema seria solucionado pelo setor juridico.
Segundo o Procon, o prazo para a empresa se manifestar era 5 de dezembro, e essa data já havia passado de longe.
Na manhã de 26 de dezembro, o telefone tocou:
- Bom dia! Gostaria de falar com o Sr. Daniel!
- Bom dia! E ele quem fala!
- Daniel! Aqui é do Procon e estou ligando para que você compareça aqui no Procon para tomar ciência da resposta enviada pela empresa.
Lá vou eu! Para mais um dia de luta em busca do meu celular perdido! Ao chegar no Procon, o assunto foi rápido! Fui informado de que tinha ganho a causa e que deveria buscar o falecido na assistência técnica e depois ir até a um endereço citado numa correspondência.
Indignação
A caminhada até a assistência técnica foi tranqüila. Pelas ruas do centro caminhavam um povo apático na aparência e cansado das comemorações do Natal. Ao chegar na loja uma surpresa: portas fechadas! Dirige-me até um segurança e perguntei:
- Bom dia! Você sabe se a loja vai abrir hoje?
- Ele consultou seu relógio e disse que provavelmente às 12h.
Algumas pessoas já aguardavam na porta do estabelecimento. Resolvi ficar de longe observando o movimento. Até que de repente surge um homem e uma mulher. O cara olhando com cara de poucos amigos profere a pérola:
"Vocês têm que agradecer pelo favor que eu estou fazendo em abrir a loja. Por mim, eu nem abriria hoje!"
Ação e Reação - As palavras ditas sem muita vergonha pelo proprietário da assistência foram uma reação por ter sido cobrado por um dos consumidores pela demora na abertura do estabelecimento.
Naturalmente azedo o homem catou umas caixas e saiu da loja apressadamente. Aquelas palavras martelavam na minha cabeça, pois como pode alguém que se dispõe a prestar serviços agir dessa forma.
Depois de algum tempo fui finalmente atendido. Retirei meu aparelho da loja e assinei um termo me responsabilizando pela desistência do serviço não prestado.

sexta-feira, janeiro 12, 2007

Tudo por um celular - Segunda Parte

"Alô amor! Tô te ligando de um orelhão Tá um barulho, uma confusão Mais eu preciso tanto te falar"
Bruno e Marrone

(*)

Consumidor!
Segundo Capítulo:
A primeira gestação

Logo que a vida voltou ao normal, a mala foi desfeita e os presentes distribuídos. Lá vou eu levar o relógio para ser beijado e voltar a ser um celular de verdade.
Mal sabia que as confusões estariam apenas começando. Verificado as características físicas e a integridade moral do aparelho, eis, que me despeço dele, de onde só fui tirar um mês depois.

Uns quarenta e cinco dias depois...

Um virgem praticamente! Trocaram meu aparelho! Todo plástificado! Feliz da vida retomei a vida.
A única coisa que me intrigava no comportamento daquele aparelho é que ele só dava carga na cozinha. Que estranha relação era essa! Entre ele e a tomada da cozinha? Será que em uma vida passada, eles foram um benjamim e uma tomada? Marido e mulher? Irmãos! Era estranho.

Final da relação...

A relação entre os dois durou apenas até o mês de outubro, quando numa tarde de sábado eu não conseguia mais promover o contato entre o plug e o buraco. Mexia! Mexia! Punha e tirava com jeitinho e nada dele ceder pro plug.
Seus olhos não queriam brilhar mais quando o plug era inserido em sua entrada. O que teria esfriado essa relação?
Telefone bloqueado lá vou eu novamente para a assistência técnica, quatro meses depois, de ter saído dela com um novo celular.

"Senhor o seu celular está funcionando normalmente, mas para resolvermos o problema teremos que ficar com o aparelho."

Mais uma vez sem celular e dessa vez por causa de um carregador, apenas um carregador!

"Senhor ligue daqui a três dias."

Três dias depois...

"Senhor ligue daqui a cinco dias."

Uma semana depois dos cinco dias programados...

"Senhor ligue na sexta-feira!"

No cara a cara!

- Senhor aconteceu uma divergência na nota fiscal no primeiro conserto, então, estamos aguardando um nova nota. E se eu fosse o senhor acionaria a empresa para te dar outro aparelho.
- Pode ficar tranquila! Já acionei o Procon e só passei aqui para ver se alguma coisa tinha acontecido!

Nesse intérim fiquei no aguardo do prazo dado pelo órgão de defensoria do consumidor a despeito da minha causa e de uma solução para a saga: Tudo por um celular!

A primeira saga de 2007: Tudo por um celular!

"Piririn, piririn, piririn Alguém ligou pra mim Piririn, piririn, piririn Alguém ligou pra mim Quem é?"
Atoladinha - Bola de Fogo
(*)
Consumidor!
Primeiro Capítulo: Telefone Celular ou Relógio de Bolso Moderno?
O dia estava ensolarado na capital maranhense, o táxi a pouco havia me deixado na porta do aeroporto com minha mala e meu inseparável antílope (minha bolsa). Depois de alguns dias gozando a vida num dos paraísos do Nordeste o frio do Sudeste me esperava novamente para me dar um abraço de seja bem-vindo!
Naqueles dias do mês de maio fazer o check in era um prazer, nada de filas, nada de gente arremessando coisas nos empregados das companias áreas. Burocracias à parte segui para a sala de espera. De lá! Liguei para casa, meu pai atendeu! Alôoooo (voz grave). Pedi a ele que chamasse minha mãe conversamos rapidamente e avisei que por volta das 20h estaria em Sampa.
O celular havia sido carregado. Porém, misteriosamente suas teclas começaram a pifar. A principio as três de baixo, depois a tecla voltar. Quando me dei por conta tinha em mãos um relógio Nókia 6255, cor prata, display lindo e colorido, relógio com vídeo, fone de ouvido e vários sons para me despertar pela manhã. Seria esse fato, um dos mistérios da Terra da Encantaria?
Uma simpática voz ecoa pela ampla sala do aeroporto, enquanto muitos se aglomeram na porta de acesso a aeronave, outros ainda compram mais algumas garrafas de Jesus: "o sonho cor de rosa", ou potes de geléia de pimenta. Diga-se de passagem ótima para ser degustada com os bolinhos de aipim com carne seca do Bar e Restaurante Antigamente, na rua da Estrela.
Após a estranha divisão em duas filas feita por um dos empregados da compania área. Eis que começa o embarque, tive que desligar meu relógio. Ah! Celular!
"Boa tarde! Aqui quem fala é o comandante .... São 14h30, a temperatura ambiente é de 35º C, por volta das 16h, faremos nosso desembarque em Brasília."
Vôo tranquilo, excelentes paisagens, boa música, lanche quente e alguns flertes. Eis que surge Brasília abaixo de nossos pés. O avião segue para Congonhas! Eu como optei desembargar em Guarulhos ia ter que tomar um chá de cadeira até às 17h40.
Aquilo é que é aeroporto! Teatro! Óculos de Sol que você só vê nos editorias de moda da Vogue, artesanato de todo o país. O paraíso do conforto. Pensei até em candidatar-me a uma vaga de aspone no Planalto Central!
"Senhores passageiros do vôo .... com destino a São Paulo - Guarulhos, avisamos que a aeronave irá se atrasar, devendo chegar por volta das 19h45, com embarque previsto para às 20h."
Pânico!
Isso resume tudo que senti naquele momento! Viajando sozinho para um lugar que nunca havia estado e agora com um abacaxi para resolver. Eu, meu antílope e agora acompanhado do Mário Queiroz (meu agasalho favorito). Fomos os três até o guichê da compania tentar reverter a situação a nosso favor! Pois, às 22h saía o último ônibus da PM para São José dos Campos.
Uma moça simpática ostentando um coque imponente e uma maquiagem que dava seta quando ela piscava tentava resolver minha situação e me transferir de vôo. Enquanto isso, um latino com voz áspera pisava no meu calcanhar e me irritava profundamente, proferindo algumas palavras:
"Yo tengo que embarcar pra Miami, às Veinte e três oras"
Com meu olhar simpático e amistoso li a alma daquele homem e volte-me para a atendente que com um sorriso na voz me disse:
"Senhor sua mala será trocada na pista, aqui está seu novo bilhete pode se encaminhar para o embarque."
Muito agradecido pela eficiência da jovem fui eu e meu dois acompanhantes para o embarque. O avião parecia um ônibus, ou metrô lotado, horário de rush, em plena segunda-feira, gente excitada, gente suada, gente alegre, gente cansada e eu curtindo tudo feliz da vida.
Mais um lance quente! Algumas horas depois, os prédios anunciam que estou no paraíso do cimento!
Já naqueles dias Congonhas estava tão lotado, que o desembarque foi feito na pista mesmo e de circular chegamos ao saguão.
Todos em pé assistiam um estranho desfile de malas, pretas, azuis, grandes, enormes, dantescas e a minha que eu achei um desaforo!!! Pois, levei roupa para uma semana e ainda poderia ter trazido mais uns 12 quilos no retorno, sem exceder o limite de peso.
Já que nada acontecia fui ao banheiro, minutos depois voltei ao local! Cadê as pessoas? Cadê minha mala?
Uma onda de tensão tomou meus pensamentos. Haveria possibilidade de em menos de 180 segundos várias pessoas terem pego suas malas e ido embora?
A resposta veio logo em seguida, como num imã, o fato de eu ter parado ali atraiu todo mundo, como num boom! Dei muita risada da situação, pois todos haviam saído para reclamar a falta de suas bagagens.
Acompanhado agora por um carrinho, saímos eu, antílope e Mário Queiroz, em direção ao ônibus que faz o transporte até Guarulhos, pois somente de lá saí o ônibus para cá.
E que pinote!
- Moço! De onde saí o ônibus para Guarulhos?
- E lá na frente! Você precisa correr!
- Olhei para o relógio que dispencava do teto. Eram 20h50!
- O ônibus saí às 21h, completou o informante!
Saímos os quatro atropelando até sombra! Quando cheguei fui logo perguntando ao motorista!
- Qual a previsão de chegada a Guarulhos?
- Ah! Lá pelas 21h40!
Pensei, mas nem tinha escolha! Vamos embora! No trajeto feito pelo centro da cidade uma recompensa! Não tinha trânsito. Liguei novamente do relógio para a casa! Ah! Celular, sempre me esqueço desse detalhe!
Rápido diálogo, pois a conta seria deliciosa no fim do mês!
Enfim, Guarulhos! Como aquele lugar estava lindo às 21h45, daquela segunda-feira!
Passagem, Passagem! Preciso de um bilhete urgente!
Ufa! Bilhete em mãos!
Quanta correria! Olhei para minha mala e fiquei pensado em tudo que tinha acontecido, durante o tempo que me sobrou.
Até que uma senhora interrompeu sem pedir licença o meu momento reflexivo!
- O senhor sabe de onde saí o ônibus para São José?
- Olha! Segundo a informação que recebi é daqui mesmo!
- Ela continuou! Nossa! Pensei que não fosse dar tempo meu vôo de Brasília para cá atrasou e somente saiu às 20h.
Aquelas palavras pareciam uma arma encostando na minha cabeça. Eu havia corrido tanto pensando que não daria tempo e a mulher chegou quase na mesma hora que eu!!! Que bosta concluí. Mas, agora estava feito e não tinha como saber senão experimentasse arriscar.
Finalmente o ônibus, foram momentos de prazer! Interrompidos pelo motorista.
"Quem não for descer na rodoviária, não pode deixar as malas no bagageiro."
Esse era meu caso! Fiquei na minha e aproveitei os últimos momentos de vida do meu relógio para ouvir qualquer rádio que sintonizasse.
Ele estava morrendo, desde a noite de domingo não conseguia mais dar carga naquilo que agora tinha virado um relógio prateado com display colorido.
No retão de Jacareí calculei a hora de fazer a ligação salvadora, pois a coragem de caminhar até em casa tinha ficado no Maranhão.
- Daqui a 3.06 saía de casa que estarei chegando!
- Câmbio desligo!
- QAP, na escuta!
Casa! Que saudades dela! De tomar um banho quente! Todos os sonhos foram diluindo junto com a espuma do sabonete. Amanhã tenho que trabalhar cedo!
O relógio deu seus últimos suspiros! Começaria aí a saga: Tudo por um telefone!!!

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Coisas úteis veiculadas pela net


"Exu, espírito criado pela natureza,Ogum, sincretizado com Santo Antonio na Bahia Iê iê iê salve oxosse rei da mata,Oxosse e caçador, salve abaluaê Xangô, oxum maré, irê e nanã.Oxum, deusa do ouro e dos rios, E a guerreira Inhançã: deusa dos raios, Salve ossanhe, Iemanjá rainha do mar. Sarava par Oxalá"
Unidos da Tijuca - 1975
(*)
Estava eu navegando por um dos principais sites relacionados ao universo do carnaval, o (Sambario) quando me deparo com o download do cd: "O Negro no Brasil", que foi lançado em long play, no ano de 1976.
Para quem gosta do gênero samba de enredo, ou mesmo de pesquisar sobre a história do Brasil, o cd é um "achado" daqueles que você fura, risca, arranha de tanto executar. Gostei tanto das faixas que usei como som ambiente no dia de minha banca examinadora na faculdade.
As faixas são divididas entre os Acadêmicos do Salgueiro; Unidos da Tijuca; Unidos de Lucas; Império Serrano, Canários de Laranjeiras e Em cima da Hora. Apesar do Salgueiro dominar a coletânea, as obras que eu mais gostei foram as da Tijuca que eu não conhecia. Os sambas são dos anos de 1958, 1961 e 1975 e relembram momentos importantes da saga dos negros no Brasil.
Atualizando! Vale lembrar que este ano os temas africanos estão na moda desde as tendências divulgadas pelas passarelas do SPFW até a Sapucaí, onde Salgueiro, Porto da Pedra, Mangueira, Beija-Flor e outras agremiações irão pincelar em suas fantasias, alegorias e adereços os tons e motivos inspirados na África.

terça-feira, janeiro 09, 2007

Patrimônio Imaterial: Folclore e Identidade Regional

Daniel Faria
"Cantando em forma de oração, Serrinha pede paz, Felicidade, Pra nossa gente que não pára de rezar, E como tem religiosidade"
Império Serrano - 2006
(*)
Supresa!


Ver essa exposição, no Parque da Cidade Roberto Burle Marx, na região norte, de São José dos Campos me fez lembrar dos museus de São Luís do Maranhão com suas instalações e sons ambientes.
Porém, o mais legal foi estar em companhia de minha amiga Kina e também conhecer fatos curiosos da região, como a Santa Perna.
A foto acima mostra um dos espaços destinados aos santos negros que são cultuados pela religião católica e também no candomblé.

13 entram, dois caem!

"Amar, viver, sonhar, acreditar, Que a alma é a fonte, energia da vida, Na máquina jamais se encontrará, A inspiração que faz nascer a poesia."
Mocidade Independente de Padre Miguel - 2007
(*)
Relembrando um dos trechos da última obra do compositor Toco (in memorian) para a Verde e Branco de Padre Miguel. Eu vesti a camisa de todas as agremiações cariocas e mergulhei nas 13 faixas do compact disc de 2007 do Grupo Especial.
Com um projeto mais simples a fim de baratear o custo do produto final e assim alavancar as vendas que já foram pau-a-pau com as bolachas de Roberto Carlos. As composições deste ano seguem a tendência dos últimos anos: sambas feitos para à Sapucaí e que nem sempre agradam a todos. Isso é fato!!!
Esse ano com um diferencial, o povo anda estranhando as versões originais dos sambas que são defendidos na disputa por outros intérpretes. E veteranos como Neguinho da Beija-Flor e Quinho foram vítimas das criticas dos apreciadores do carnaval.
(*)
Apontar os melhores sambas é algo complicado, ainda mais porque tudo se transforma na avenida. E no Rio isso é fato! Tem escola que chega quieta e detona, outras chegam...chegando e levam tinta. Quem não se lembra dos "Doces Bárbaros", da Mangueira, em 1994. Tinha tudo para ganhar e perdeu!
Quanto aos desfiles duas noites bem equilibradas aguardam os turistas, os cariocas e o povo da arquibancada 0800.
Depois de duas tentativas frustradas de queimar escolas grandes na noite de domingo. A renascida das cinzas Estácio de Sá reedita a história do sapoty e busca fincar os pés no especial novamente. O restante da noite será um soco no estômago com Império Serrano; Mangueira; Viradouro; Mocidade e a atual campeã Vila Isabel.
"Renasce a luz da sabedoria, O homem se lança ao mar, O sonho é fonte dessa energia, E fabricando, ilusões renovar."
Vila Isabel - 2007
(*)
Na segunda noite, Porto da Pedra que está sempre na linha do rebaixamento canta a vida de Mandella e da África do Sul. E a partir da Unidos da Tijuca a coisa irá esquentar, pois, 2007 será o carnaval do passa 13 e caem 2.
Por isso, Salgueiro, Portela, Imperatriz, Grande Rio e Beija-Flor prometem agitar a última noite de desfiles do grupo.
Com algumas ressalvas, Beija-Flor será a última escola a ocupar a 13ª posição na ordem de apresentação e tem a seu favor um enredo que agrada a comunidade, Laíla e sua equipe que produz coisas interessantes, inovadoras e com o traço de ousadia que a agremiação aprendeu a conhecer com J30.
(*)
Já me perguntaram quem irá ganhar em 2007? Diante do atual cenário eu prefiro não arriscar. E sim, acreditar que quem ganha é quem era menos!!! Pois, os brindes alusivos aos enredos que seduziam os olhos dos jurados esse ano foram proibidos, assim como, as visitas aos barracões.

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Nota Zero em Divulgação!

"O toque da sanfona faz enlouquecer, são festas tradições, vem ver, tem frutos do mar, devoção e alto astral, no reinado de Momo, a alegria é geral"
Vila Maria 2007
(*)

Com uma arte visual bonita, apesar de poluída chegou as bancas no dia 13 do mês passado o compact disc dos sambas de enredo de São Paulo para o carnaval 2007. E por mais um ano, a distribuição foi feita por meio das bancas de jornais.
A trapalhada da temporada é que a comercialização ficou restrita à cidade de São Paulo. O resto do Estado e demais cercanias teriam de comprar por telefone e pagar frete.
Inicialmente na fase das bolachas pretas, o disco era fácil de ser encontrado em qualquer loja. A partir de 2002, dois anos após a divisão dos desfiles em duas noites, a gravadora Som Livre assumiu até 2003 a produção e veiculação do produto. Porém, descaracterizou o carnaval deixando a logomarca Globeleza na capa do "Dito Cujo."
De volta as mãos da Liga o cd entrou no modismo de compre um jornal e com mais xyz adquira o produto. Começaria aí a saga: "Como conseguir o cd de sambas de enredo de São Paulo."
O único ponto positivo é o custo final do produto que em média é bem inferior ao do Rio de Janeiro, mas está virando cada vez mais o barato que saí caro, devido aos transtornos para aquisição.
Em relação ao conteúdo muitas surpresas! A dança das cadeiras comeu solta entre os intérpretes. O disco não é nenhuma obra prima e nem vale arriscar um chute a despeito de favoritas ao título.
Sinceramente ao ouvir as 14 faixas, algumas passam batido, aparentemente será um carnaval em que os sambas só irão mostrar força na avenida.
Com apenas uma ressalva, o samba de enredo da Vila Maria, que me surpreendeu desde a escolha do tema/enredo: a cidade de Cubatão.

Pessoas polêmicas vão pro céu?

"Nessa madrugada de insônia...Oh! Sônia venha me fazer companhia."
Daniel Faria
(*)
Ontem, me surpreendi assistindo o show da vida e principalmente a entrevista rápida do escritor Ariano Suassuna. Polêmicas à parte o escritor que já passou pela Sapucaí, no ano de 2002, "Aclamação e Coroação do Imperador da Pedra do Reino Ariano Suassuna", nos braços do Império Serrano revelou suas esperanças em relação ao Brasil e sua luta contra a indústria cultural e sua massificação.
O melhor de tudo é que seu romance a despeito da Pedra do Reino será transformado em minisérie pela Rede Globo. Infelizmente (apocalípticos) ou felizmente (moderados) a televisão brasileira ainda consegue fazer com que boa parte da população tenha acesso aos clássicos da literatura por meio dos produtos televisivos.
Alfinetando um pouco! Não adianta criticar a mídia, pois no fim dos tempos, ela é que acaba por transformar e divulgar os produtos culturais restritos em coisas "in" e o próprio "Auto da Compadecida" virou um produto de massa.
Então, Viva a massa de tomate!!! E quem não quer virar molho que compre um xalé em Plutão, pois ele anda totalmente "out."

Promessa de Ano Novo: Blogar y Blogar y Blogar!

Sei que ainda não passou o carnaval, mas o ano já começou! E como promessa para 2007 irei tentar blogar todo dia. Já deixei em dúvida minha promessa! (risos). "Irei tentar"
...a sei lá! Deixa rolar, pois estamos no oitavo dia do ano mais quente dos últimos séculos.
Mas, ainda há tempo!!! Pois, só tenho que redigir oito textos e equilibrar a balança.
Acessando aqui o baú dos últimos acontecimentos tem a exposição que fui no Museu do Folclore de São José dos Campos já é um começo...continuarei falando de carnaval (ohhh que novidade!!!) (risos) e também dos fatos cotidianos.
O que há de novo então?
Talvez eu mesmo seja uma grande novidade, devido ao fato de a cada dia tentar olhar pra tudo, pra mim mesmo e pro mundo de uma forma diferente. Às vezes frio demais, às vezes azedo demais, às vezes com uma pitada de humor e de repente até me emocione com o que vejo.
Mas, de uma coisa eu tenho certeza quando eu volto pro meu mundo, que pode ser aqui, ali ou acolá. Eu paro y penso, pois o pensamento é a coisa mais particular e fantástica que um ser pode produzir...