
Pobrezinha da Isabel, pois mal sabia ela, que várias outras formas de escravidão habitariam o gigante adormecido ao longo dos anos. Entre alguns exemplos, a prostituição infantil, da mulher e do próprio homem, o trabalho escravo nos vários segmentos da atividade econômica, no campo, na indústria até fora do país, pois, somos excelentes produtores de mão-de-obra para Europa, América do Norte e assim vai.
No centenário da abolição, em 1988, a Estação Primeira de Mangueira levou pra Sapucaí o enredo “Cem Anos de Liberdade, Realidade ou Ilusão”, em um dos trechos da obra composta pelo trio Hélio Turco, Jurandir e Alvinho, uma afirmação, que infelizmente reflete a realidade: “Pergunte ao criador, Quem pintou esta aquarela, Livre do açoite da senzala, Preso na miséria da favela.”
Criam-se mecanismos de inclusão para que todos tenham um lugar ao Sol. Com isso, cresce o assistencialismo, um leque de oportunidades, que arregala os olhos do terceiro setor. Para uns está tudo ótimo, para outros sobreviver à sombra do paternalismo é uma vantagem bastante recompensadora do ponto de vista das facilidades oferecidas e da lei do menor esforço.
Estabelecem-se cotas e nesse pacote todas as minorias são encaixotadas, ou melhor, viram fatias do mercado, clientes preferenciais de empresas de alta performance e visão estratégica de mercado, ou como queiram arrojadas e com uma missão, que só de ler nas placas que decoram a recepção, nos arranca lágrimas de emoção.
Meu único medo é que no futuro (amanhã ou daqui a 5 minutos) essa divisão do mundo, não nos obrigue a viver em quilombos modernos, com representações do líder Zumbi, em várias cores, preferências sexuais, ou religiosas. Até porque a intolerância em qualquer grau pode ser considerada como uma forma de cerceamento da liberdade, ou seja, uma escravidão maquiada, que atinge os seres humanos nessa complexa convivência em sociedade.
















































